Sábado, 11 de Julho de 2009

Carnaval

Carnaval, carne sobrando para todos os lados do corpo humano
Mulheres assanhadas rindo à toa para o nada
Homens nojentos abrindo a latinha de cerveja com risos sarcásticos
As crianças são as únicas a se divertir de verdade
Senhoras idosas olhando pela janela, acenando com uma toalhinha
Carros na contra-mão atrapalhando os pedestres
Buzinas tocando inutilmente com o sinal fechado
Carnavalescos às pressas com suas fantasias pesadas
Música alta
Fazendo surdo ouvir
Surdo do pandeiro
Que é instrumento brasileiro
Cinzas sobraram
Cinzas faltaram
Cinzas de um carnaval
Que é meio canibal
Anti-social
Mas no fundo é legal.

Amor

Amor
Eu ainda vou deitar na sua cama
Sentir o seu corpo
O seu abraço
Seu olhar no meu
Seu sexo me penetrando
Seus lábios entrando no meu
Suas mãos me tocando
Eu gritando, gemendo...
Você se esfregando
Eu só sorrindo, curtindo
Você fazendo meu corpo de gangorra
Com esse movimento de vai e vem
Vejo dois corpos frios, nus
Porém quentes, salientes
A gente se amando, transando
No momento só existe nós dois, o resto...
O amor me faz sonhar
Penetrar nos meus desejos
Imaginar você...
O amor me tira da realidade
Me deixa saudade
De um amor que não tive
E que porém vive
Na memória do coração.

Amor cifrão

Amor cifrão
Não vale um milhão
Não precisa de refrão
Nos deixa na solidão
Maltrata qualquer coração
É pura ilusão
Não é ato são
Acaba com a emoção
É coisa de machão
É apenas compaixão
É vontade de morar em mansão
É sonhar em não ter prestação
É falta de atenção
Não existe amizade não.

Sábado, 30 de Agosto de 2008

SÓ ME RESTA MORRER

Se amada não puder ser/ Só me resta morrer
Solitária não quero ficar/ Eu quero é alguém para amar
Vejo tanto casal juntinho/ Onde está o meu agarradinho?
Minha boca molhada está/ Esperando a sua para beijar
Meus olhos de lágrimas gritam/ Perguntando: como é que ficam?
Meus dedos trêmulos estão/ Também, sem um cora
Aquela felicidade alheia/ Em mim, apenas vagueia
Meu coração solitário está/ Hei, quer me amar?
Dou razão ao vizinho/ Pois está coberto de carinho
Vou esperar e sentar/ Até o meu amor chegar.

Sábado, 23 de Agosto de 2008

ALTIVAMENTE

O grito de dor/ Que não dei/ Lembra/ O amor que/ Por você/ Terei
O grito de dor / Que não dei/ Lembra a poetisa/ Altiva/ Que um dia/ Conhecerei
O grito de dor/ Que não dei/ Faz lembrar/ O tapa no rosto/ Que nunca levei
O grito de dor/ Que não dei/ Faz ensurdecer/ O ouvido/ Que calei.

Sábado, 9 de Agosto de 2008

CASA LOTADA

Casa lotada/ Não é espetáculo/ É necessidade/ Um quarto pra dez/ Não é hora/ É realidade/ Barriga roncando/ Não é trovoada/ É fome/ Àgua pingando/ Não é da torneira/ É do telhado/ Corpos espalhados ao chão/ Não são defuntos/ É falta de cama/ Bala na boca/ Não é de chupar/ É de matar/ Barriga d'agua/ não é fartura/ É doença/ Pé-de-moleque na mesa/ Não é doce/ É a morte/ A falta de sorte/ O leito de morte.

ESTOU AO VOLANTE

Corro/ Estou ao volante/ Buzino/ Estou ao volante/ Pratico pega/ Estou ao volante/ Paquero os gatinhos/ Estou ao volante/ Atropelei um cachorro/ Estou ao volante/ Atravessei na contra-mão/ Estou ao volante/ Avancei o sinal/ Estou ao volante/ Bati com o carro/ Estou ao volante/ Atendi ao celular/ Estou ao volante/ Briguei com o guarda/ Estou ao volante/ Tenho pressa de chegar/ Estou ao volante/ Dei a útima batida/ Saí do volante/ Cheguei ao céu/ Sem o volante.